Todo servidor, em algum momento, precisa se afastar do trabalho: por doença, por nascimento de filho, para estudar, para cuidar de um familiar. O estatuto de cada ente lista as situações em que esse afastamento é permitido e define o que acontece com a remuneração, com a contagem de tempo e com o cargo. Para o setor de pessoal, administrar licenças é uma das rotinas mais frequentes e mais sujeitas a erro.
O que é licença do servidor
É o afastamento temporário e autorizado do exercício das atribuições do cargo, sem perda do vínculo. Algumas licenças são direito do servidor, que a administração deve conceder quando comprovados os requisitos, como a licença para tratamento de saúde e a licença-maternidade. Outras dependem de decisão da administração, que avalia a conveniência do serviço, como a licença para tratar de interesses particulares. Algumas são remuneradas, outras não.
Exemplos no estatuto federal
O art. 81 da Lei 8.112/1990 lista as licenças: por motivo de doença em pessoa da família, por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro, para o serviço militar, para atividade política, para capacitação, para tratar de interesses particulares e para desempenho de mandato classista. Há ainda licenças próprias de saúde, maternidade e paternidade. A licença concedida dentro de 60 dias do término de outra da mesma espécie é considerada prorrogação (art. 82). Os municípios devem consultar seu próprio estatuto, porque nomes, prazos e regras de remuneração variam de um ente para outro.
Principais licenças tratadas neste glossário
- Licença para tratamento de saúde
- Licença-maternidade e licença-paternidade
- Licença por motivo de doença em pessoa da família
- Licença para atividade política
- Licença para tratar de interesses particulares
- Licença para capacitação
- Licença para mandato classista
Como funciona na prática
- Pedido ou ofício: o servidor requer a licença, com os documentos exigidos, ou a administração a concede de ofício em casos como o da saúde.
- Verificação dos requisitos: o setor de pessoal confere o cargo, o regime, o tempo de serviço e, quando for o caso, se o servidor está em estágio probatório.
- Decisão e ato formal: a autoridade concede ou nega por ato, com fundamentação, e o ato é registrado e publicado conforme a regra do ente.
- Registro no sistema: a licença é lançada no cadastro, com início e fim, para que a folha e o ponto reflitam o afastamento.
- Ajuste de pagamento: nas licenças sem remuneração, o pagamento é suspenso ou ajustado; nas remuneradas, mantém-se conforme a lei.
- Retorno: ao fim do prazo, o servidor volta ao exercício, e o setor de pessoal confere se houve prorrogação, interrupção ou necessidade de nova avaliação.
Exemplo ilustrativo: imagine um servidor que pede licença para tratar de interesses particulares. A chefia avalia o impacto no serviço, o setor de pessoal verifica que ele já cumpriu o estágio probatório e a administração concede a licença por ato publicado. O pagamento é suspenso no período, e o sistema registra a data de retorno prevista.
Diferença entre licença, afastamento e férias
No uso comum, os termos se confundem. Licença é o afastamento previsto no estatuto como direito ou concessão, geralmente por motivo específico. Afastamento é gênero: inclui licenças, cessão a outro órgão, mandato eletivo e outras hipóteses; veja afastamento para mandato eletivo. Férias são o descanso anual, com regras próprias; veja férias do servidor. Já as faltas justificadas são ausências pontuais, sem natureza de licença.
Cuidados
- Verificar o estatuto local: nomes, prazos e remuneração mudam.
- Registrar a licença no sistema, com ato formal, e suspender ou ajustar o pagamento quando for sem remuneração.
- Controlar efeitos sobre estágio probatório, tempo de serviço e progressão.
- Proteger dados de saúde e de vida privada contidos nos pedidos, conforme a LGPD.
Erros comuns
- Conceder licença sem ato formal ou com data de início e fim imprecisa.
- Continuar pagando remuneração durante licença sem vencimentos.
- Deixar de controlar o prazo de retorno e a eventual prorrogação.
- Aplicar a regra do estatuto federal a servidores municipais sem checar a lei local.
- Não considerar o efeito da licença sobre estágio probatório e progressão.
- Misturar licença com férias ou faltas no controle de frequência.
Checklist do setor de pessoal para qualquer licença
- Existe previsão da licença no estatuto local e o servidor atende aos requisitos?
- O pedido está completo, com a documentação exigida e a data de início?
- A licença é direito do servidor ou depende de decisão da autoridade?
- Há efeito sobre a remuneração, o estágio probatório, a contagem de tempo e a progressão?
- O ato foi emitido, publicado e lançado no sistema de pessoal?
- O retorno e as eventuais prorrogações estão sendo acompanhados?
Uma planilha ou sistema que reúna essas informações para todas as licenças do ente reduz erros e permite relatórios de acompanhamento. Quanto mais padronizado o fluxo, menos o direito do servidor depende de quem atende o pedido.


