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Glossário da gestão pública

Sistema de Informação de Custos do Setor Público (SICSP)

O Sistema de Informação de Custos do Setor Público (SICSP) é o conjunto de rotinas e dados que mede o custo dos serviços e programas do ente público, para apoiar decisões, avaliação de resultados e transparência.

O que é o Sistema de Informação de Custos do Setor Público

O Sistema de Informação de Custos do Setor Público (SICSP) transforma os registros contábeis em informação de custo: quanto custa manter uma escola, uma unidade de saúde, a coleta de lixo. A expressão aparece na NBC T 16.11, norma do Conselho Federal de Contabilidade de 2011 sobre mensuração e evidenciação de custos, que o Tesouro Nacional registra como em processo de revisão.

A contabilidade orçamentária responde “quanto foi gasto”. O sistema de custos responde “quanto custou entregar”. São perguntas diferentes, e o gestor precisa das duas.

Para que serve

O sistema permite comparar unidades, orientar a alocação de recursos e avaliar eficiência. Alguns usos práticos:

  • comparar o custo de funcionamento de escolas ou unidades de saúde semelhantes;
  • embasar decisões sobre terceirizar ou manter um serviço próprio;
  • identificar desperdícios e oportunidades de economia;
  • definir preços públicos e taxas com base em informação, e não em estimativa;
  • dar transparência ao cidadão sobre o custo dos serviços.

Também atende à Lei de Responsabilidade Fiscal: o art. 50, § 3º, manda a Administração manter sistema de custos que permita avaliar e acompanhar a gestão orçamentária, financeira e patrimonial.

Como funciona

Na União, o Tesouro opera o Sistema de Custos do Governo Federal (Portaria STN 157/2011) e o Sistema de Informações de Custos, o SIC (Portaria STN 716/2011), que reúne dados do Siafi, da folha de pessoal e de sistemas de planejamento e mede custos pelas variações patrimoniais diminutivas. Nos municípios, o desenho é próprio. O caminho típico é este:

  1. Definir o que medir. Escolher o objeto de custo: serviço, unidade, programa ou projeto.
  2. Criar os centros de custo. Cada unidade ou setor que consome recursos recebe um código.
  3. Estabelecer critérios de rateio. Custos comuns, como administração central, energia e frota, são divididos por critérios objetivos, como área, número de atendimentos ou horas.
  4. Alimentar o sistema. Os dados vêm da contabilidade patrimonial e de sistemas de folha, almoxarifado e patrimônio.
  5. Gerar relatórios e analisar. O resultado é discutido com os responsáveis pelas áreas.
  6. Agir. Os achados orientam metas, revisões de contrato e redesenho de processos.

Custo, despesa e gasto: não confunda

A despesa orçamentária nasce no empenho e segue a lógica da lei orçamentária. O custo, em contraste, vem da contabilidade patrimonial, pelo regime de competência: considera o consumo de recursos no período em que o serviço foi prestado, ainda que o pagamento ocorra em outro momento. Uma compra de material empenhada em dezembro pode ser consumida só no ano seguinte, e é nesse ano que ela se torna custo. Entender essa diferença é a base para ler qualquer relatório de custos. Veja também custos no setor público.

Quem usa as informações de custos

O sistema serve a vários públicos. O prefeito e os secretários usam os relatórios para decidir prioridades. O controle interno, para avaliar eficiência e economicidade. O setor de planejamento, para dimensionar metas e indicadores. E a sociedade, quando os dados são divulgados com linguagem simples. Para que a informação seja útil, cada relatório deve responder a uma pergunta de gestão clara, como “quanto custa por aluno atendido?” ou “quanto custa por consulta realizada?”, e não apenas listar somas.

Primeiros passos para quem nunca mediu custos

Não é preciso começar por um sistema sofisticado. Uma planilha bem estruturada, com poucos serviços e critérios de rateio explícitos, já produz informação valiosa e prepara a equipe para um sistema integrado depois. O essencial é nomear um responsável, definir periodicidade (mensal ou trimestral) e garantir que os resultados sejam discutidos em reunião de gestão.

Exemplo ilustrativo

Imagine uma prefeitura de pequeno porte que quer saber quanto custa manter a frota da saúde. Ela define como objeto de custo cada veículo, cria centros de custo por unidade de saúde e fixa critérios de rateio para combustível, manutenção e motoristas. Ao final de alguns meses, o relatório mostra que o custo por quilômetro de dois veículos é muito superior ao dos demais. A gestão revisa contratos de manutenção e rotas, e o custo cai. O exemplo é hipotético e mostra o ciclo de medir, analisar e agir.

Base legal

As normas federais organizam o sistema da União. No município, o desenho é próprio, e vale conferir decretos e normas internas do ente.

Erros comuns

  • Confundir custo com despesa orçamentária: o custo vem da contabilidade patrimonial (competência), e não do empenho.
  • Implantar o sistema sem definir objetos de custo e responsáveis.
  • Gerar relatório e não usá-lo na gestão.
  • Ratear custos comuns sem critério objetivo, o que distorce a comparação.
  • Tentar medir tudo de uma vez, em vez de começar por poucos serviços relevantes.

Perguntas frequentes sobre Sistema de Informação de Custos do Setor Público (SICSP)

O que é o SICSP?

É o Sistema de Informação de Custos do Setor Público: o conjunto de rotinas e dados que mede o custo dos serviços e programas do ente público, para apoiar decisões, avaliar resultados e dar transparência. A expressão vem da NBC T 16.11, do Conselho Federal de Contabilidade.

Qual a diferença entre custo e despesa no setor público?

A despesa orçamentária nasce no empenho e segue a lei orçamentária. O custo vem da contabilidade patrimonial, pelo regime de competência, e mede o consumo de recursos no período em que o serviço é prestado, independentemente de quando houve empenho ou pagamento.

A prefeitura precisa manter sistema de custos?

Sim. O art. 50, § 3º, da Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece que a Administração Pública manterá sistema de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária, financeira e patrimonial. O formato e o nível de detalhe são definidos por cada ente.

Como começar a apurar custos em uma prefeitura?

Escolha poucos serviços relevantes, defina o objeto de custo e os centros de custo, fixe critérios de rateio para despesas comuns e alimente o sistema com dados da contabilidade patrimonial e da folha. Depois, analise os relatórios com as áreas e transforme os achados em metas.

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Fontes

  1. Tesouro Nacional – Custos (Portarias STN 157/2011 e 716/2011; NBCT 16.11)

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