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Glossário da gestão pública

Imposto Seletivo (IS)

O Imposto Seletivo (IS) é o imposto federal, criado pela reforma tributária, que incide uma única vez sobre bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos e minerais.

O Imposto Seletivo é o tributo extrafiscal da reforma tributária. Está previsto no art. 153, VIII, da Constituição e foi instituído pela LC 214/2025 (Livro II), incidindo sobre a produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente (art. 409).

Para que serve o Imposto Seletivo

O Imposto Seletivo é um tributo com função de desestimular o consumo de bens e serviços que a lei considera prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Ele não substitui nenhum tributo existente: soma-se aos demais. Como é imposto federal, a arrecadação é da União, mas integra a base de repartição constitucional, e por isso pode afetar as transferências aos municípios.

Por que o município deve acompanhar, em etapas

  1. Verificar como a arrecadação do IS entra na base de cálculo do FPM e das transferências aos Estados e Municípios.
  2. Acompanhar os anexos da lei que listam os bens e serviços tributados e as alíquotas aplicáveis.
  3. Avaliar o efeito sobre as compras públicas, como veículos e combustíveis, quando houver bens tributados.
  4. Atualizar as projeções de receita e a programação das compras conforme o cronograma.

Exemplo ilustrativo

Imagine uma prefeitura de pequeno porte que renova a frota de veículos todos os anos. Com a incidência do IS sobre alguns veículos, o preço pode mudar. A equipe de compras atualiza as estimativas do planejamento, consulta o painel de preços e orienta as secretarias sobre a nova realidade. Quem não acompanha pode descobrir, na hora da licitação, que o orçamento estimado ficou defasado.

Efeito indireto no FPM

O Imposto Seletivo passa a compor a base do FPM junto com IR e IPI. Em tese, isso pode aumentar o fundo; mas, na prática, depende da arrecadação, das regras de transição e dos efeitos da própria reforma sobre os demais impostos da base. O planejamento deve considerar cenários, e não uma única projeção.

O que é tributado

A lei considera prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente os bens classificados em códigos da NCM e o carvão mineral, e os serviços listados em anexo, referentes a veículos, embarcações e aeronaves, produtos fumígenos, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, bens minerais e concursos de prognósticos e fantasy sport (art. 409, §1º).

Regras principais

  • incide uma única vez sobre o bem ou serviço, sem aproveitamento de crédito (art. 410);
  • a administração e fiscalização cabem à Receita Federal (art. 411);
  • não incide sobre energia elétrica e telecomunicações, entre outras hipóteses (art. 413);
  • é cobrado a partir de 2027 (ADCT, art. 126, I, “b”).

Repartição

O IS é imposto federal, mas integra a base de repartição constitucional: do produto da arrecadação do IR, do IPI e do Imposto Seletivo, 50% são entregues em fundos, dos quais 22,5% ao FPM (CF, art. 159, I). Isso significa que a arrecadação do Imposto Seletivo pode afetar as transferências aos municípios. Dos 10% que a União entrega aos Estados, proporcionalmente às exportações, sobre o IPI e o Imposto Seletivo, 25% vão aos municípios (art. 159, II e §3º).

Efeito para o município

  • pode afetar a receita de FPM, se a arrecadação do IS se somar à base de IR e IPI;
  • pode alterar o custo de aquisição de veículos e combustíveis, entre outros itens;
  • não tem efeito direto sobre tributos municipais.

Informação ao cidadão e ao Legislativo

Como o Imposto Seletivo mexe com preços de bens muito conhecidos, o assunto tende a gerar perguntas na Câmara e na imprensa local. Manter uma nota técnica curta, com a explicação do tributo, o cronograma e o efeito sobre as transferências, ajuda a prefeitura a responder com segurança e evita boatos sobre aumento de impostos municipais.

Limite do papel do município

Por ser federal, o Imposto Seletivo não depende de decisão municipal. O papel da prefeitura é acompanhar, planejar e comunicar. As informações oficiais devem ser buscadas na Receita Federal e nas normas publicadas.

Quem atua em compras públicas deve também registrar nos processos a metodologia adotada para considerar o efeito do tributo nas estimativas de preço, o que protege a decisão em eventual auditoria.

Por fim, convém lembrar que a lista de bens e serviços tributados e as alíquotas podem mudar por lei, e a consulta periódica ao texto atualizado é indispensável.

Erros comuns

  • Imaginar que o IS é “imposto novo do município”.
  • Ignorar o efeito de preço nas compras públicas de veículos e outros itens tributados.
  • Projetar o FPM sem considerar a mudança na base de cálculo da repartição.

Diferença entre Imposto Seletivo e IPI

O IPI é imposto sobre produtos industrializados, com função arrecadatória e extrafiscal, e permanece em alguns casos. O Imposto Seletivo tem função desestimulante, incide uma única vez e abrange também a extração e certos serviços. O destino do IPI durante a transição segue regras próprias do ADCT e da legislação; consulte o texto vigente.

Onde aprofundar

Veja reforma tributária do consumo, FPM e IPI. A Evoluta oferece o curso sobre os impactos da reforma tributária nos municípios.

Perguntas frequentes sobre Imposto Seletivo (IS)

O que é o Imposto Seletivo?

É o imposto federal criado pela reforma tributária, previsto no art. 153, VIII, da Constituição e instituído pela LC 214/2025, que incide uma única vez sobre bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como produtos fumígenos, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos, embarcações e bens minerais.

Quando o Imposto Seletivo começa a ser cobrado?

A cobrança começa em 2027, conforme o art. 126 do ADCT. A lei lista os bens e serviços tributados em anexo e fixa as regras de incidência, que a Receita Federal administra e fiscaliza. As alíquotas e a lista podem ser alteradas por lei.

O Imposto Seletivo afeta o FPM?

A Constituição prevê que o produto da arrecadação do imposto de renda, do IPI e do Imposto Seletivo seja repartido, com 22,5% do total destinados ao FPM, além das parcelas adicionais de 1% (CF, art. 159, I). Assim, a arrecadação do IS integra a base de repartição e pode influenciar os valores do FPM nos próximos anos.

O município pode cobrar Imposto Seletivo?

Não. O Imposto Seletivo é de competência da União. O município não tem poder de instituí-lo nem de administrá-lo. Seu interesse está nos efeitos indiretos, como a repartição do produto da arrecadação e o impacto no preço de bens adquiridos pela prefeitura.

Termos relacionados

Glossário de tributos municipais

Fontes

  1. Constituição Federal de 1988 (texto atualizado, Câmara dos Deputados)
  2. Lei Complementar nº 214/2025 – IBS, CBS e Imposto Seletivo (texto atualizado, Câmara dos Deputados)

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