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Glossário da gestão pública

Lei Kandir

A Lei Kandir é a Lei Complementar 87/1996, norma geral do ICMS. Seu art. 31 instituiu a entrega de recursos pela União a Estados e Municípios em compensação pela desoneração das exportações, com 25{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} da cota dos Estados destinada aos municípios.

O que é a Lei Kandir

A Lei Kandir é a Lei Complementar 87, de 13 de setembro de 1996, que dispõe sobre o ICMS. O nome vem do então ministro que a propôs. Ela define a competência dos Estados e do DF para instituir o imposto sobre circulação de mercadorias, transporte interestadual e intermunicipal e comunicação, mesmo quando as operações se iniciam no exterior (art. 1º), e o fato gerador (art. 2º). É, portanto, a norma geral do ICMS, e seus efeitos alcançam os municípios porque eles recebem parte da arrecadação do imposto.

O que a lei tem a ver com os municípios

Para os Municípios, o ponto relevante é a compensação aos entes pela desoneração do ICMS nas exportações. Ao isentar do imposto operações destinadas ao exterior, a lei reduziu a arrecadação dos Estados e, com ela, a cota-parte dos municípios. Para compensar, o art. 31 do texto atualizado e seu Anexo estabelecem a entrega mensal de recursos pela União aos Estados e Municípios, nos montantes, critérios e prazos do Anexo, com coeficientes de participação por Estado. Do total de cada Estado, 75{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} pertencem ao próprio Estado e 25{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} aos Municípios, segundo os critérios da repartição do ICMS (art. 31, §1º).

Cuidado com o regime vigente

O texto fixa o regime para exercícios determinados, e a matéria foi objeto de alterações e de discussões ao longo dos anos. O regime em vigor e as alterações devem ser verificados na legislação atualizada e nas publicações do Tesouro Nacional. Este verbete não detalha valores nem coeficientes porque eles variam por período e norma.

Efeito sobre a LRF

A LRF manda computar na receita corrente líquida os valores pagos e recebidos em decorrência da LC 87/1996 (art. 2º, §1º). Assim, a compensação recebida pelo município influencia o denominador de limites como o de despesa com pessoal e o de endividamento. Veja receita corrente líquida.

Como funciona na prática

  1. A União efetua a entrega dos recursos aos Estados conforme as regras vigentes.
  2. O Estado repassa 25{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} da cota recebida aos municípios, segundo os critérios de repartição do ICMS; veja repartição do ICMS entre os municípios.
  3. O município registra a receita, na classificação adequada, e a considera na receita corrente líquida.
  4. A prefeitura acompanha a divulgação do Estado e as normas aplicáveis.
  5. O gestor planeja a receita com cautela, considerando que o regime pode mudar.

Exemplo ilustrativo

Imagine um município cujo orçamento inclui, entre as receitas, uma cota ligada à compensação pela desoneração das exportações. A contabilidade verifica, a cada ano, a legislação vigente e a informação do Estado sobre o valor e o critério de repasse, registra a receita e a inclui na receita corrente líquida. Como a regra pode mudar, a secretaria de fazenda adota previsão conservadora e acompanha as publicações oficiais antes de projetar a receita do ano seguinte.

Reforma tributária

Com a reforma tributária, o ICMS será extinto a partir de 2033. A forma como compensações e transferências ligadas ao ICMS serão tratadas ao longo da transição deve ser acompanhada com atenção. Veja o serviço de transição tributária para o IBS. Para o imposto em si, veja ICMS.

Diferença entre Lei Kandir e cota-parte do ICMS

A cota-parte do ICMS é a fatia da arrecadação do imposto que pertence ao município por força da Constituição. A Lei Kandir é a lei complementar que regula o ICMS e prevê a compensação da União pela desoneração das exportações. Os valores podem se somar, mas têm natureza e base legal distintas. Veja cota-parte do ICMS.

O debate sobre a compensação

A compensação pela desoneração das exportações foi, ao longo dos anos, objeto de debates entre os entes federados e de discussões no Congresso e no Judiciário. Para o gestor municipal, o essencial é acompanhar a regra em vigor em cada exercício, pois ela define se há repasse, em que valor e segundo quais critérios. Basear o orçamento em informações desatualizadas é um dos riscos mais comuns nesse tema.

Como a prefeitura deve tratar o tema no orçamento

Na elaboração da LOA, a secretaria de fazenda deve verificar se existe previsão de entrega de recursos naquele exercício, qual o critério informado pelo Estado e se há risco de mudança de regra. Quando houver dúvida, é prudente prever o valor de forma conservadora e abrir crédito adicional apenas quando a receita se confirmar, observadas as regras legais.

Erros comuns

  • Projetar compensação com base em regimes superados, sem conferir a norma vigente.
  • Confundir a compensação da Lei Kandir com a cota-parte do ICMS.
  • Não incluir os valores na receita corrente líquida, como a LRF determina.
  • Presumir que a compensação é permanente, sem considerar a extinção do ICMS.
  • Não acompanhar a divulgação do Estado sobre o repasse.

Perguntas frequentes na prática

A Lei Kandir ainda gera repasses?

Depende do regime vigente em cada exercício. O texto atualizado e as publicações oficiais devem ser consultados.

Quanto do valor cabe aos municípios?

Do total de cada Estado, o art. 31, §1º, indica 25{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} aos Municípios, segundo os critérios da repartição do ICMS.

Perguntas frequentes sobre Lei Kandir

O que é a Lei Kandir?

É a Lei Complementar 87/1996, norma geral do ICMS. Define a competência dos Estados e do DF para instituir o imposto e o fato gerador e, em seu art. 31, prevê a entrega de recursos pela União a Estados e Municípios em compensação pela desoneração do ICMS nas exportações.

Quanto da compensação da Lei Kandir vai para os municípios?

Segundo o art. 31, §1º, do texto atualizado, do total de cada Estado, 75{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} pertencem ao Estado e 25{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} aos Municípios, segundo os critérios da repartição do ICMS. O regime em vigor e eventuais alterações devem ser verificados na legislação atualizada e nas publicações do Tesouro Nacional.

A compensação da Lei Kandir entra na receita corrente líquida?

Sim. A LRF manda computar na receita corrente líquida os valores pagos e recebidos em decorrência da Lei Complementar 87/1996, conforme o art. 2º, §1º. Por isso o registro correto da compensação influencia os limites de despesa com pessoal e de endividamento.

O que acontece com a Lei Kandir com a reforma tributária?

Com a reforma tributária, o ICMS será extinto a partir de 2033, e as transferências ligadas a ele serão tratadas segundo as regras de transição. Convém acompanhar a legislação e as orientações do Tesouro Nacional para saber como compensações e repartições serão tratadas em cada período.

Termos relacionados

Glossário de orçamento e contabilidade pública

Fontes

  1. Lei Complementar nº 87/1996 – Lei Kandir (texto atualizado, Câmara dos Deputados)
  2. Lei Complementar nº 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (texto atualizado, Câmara dos Deputados)

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