O que é a prioridade de contratação de empresas locais e regionais
É uma política de desenvolvimento local aplicada às compras públicas. Em vez de tratar todas as empresas do mesmo modo, a lei permite, desde que haja justificativa, que o edital estabeleça prioridade de contratação para microempresas e empresas de pequeno porte sediadas no município ou na região. A ideia é manter o dinheiro público circulando perto de onde foi arrecadado, fortalecendo a economia local, o emprego e a arrecadação.
Base legal
O § 3º do art. 48 da Lei Complementar nº 123/2006 diz que os benefícios referidos no artigo poderão, justificadamente, estabelecer a prioridade de contratação para as microempresas e empresas de pequeno porte sediadas local ou regionalmente, até o limite de 10{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} do melhor preço válido. A finalidade geral do tratamento diferenciado, descrita no art. 47, é a promoção do desenvolvimento econômico e social no âmbito municipal e regional, a ampliação da eficiência das políticas públicas e o incentivo à inovação tecnológica.
Requisitos práticos
- A previsão deve constar do edital.
- É necessária justificativa, apontando como a prioridade promove o desenvolvimento econômico e social local e regional.
- O conceito de “local” e de “regional” deve estar definido em regulamento ou no próprio edital.
- A regra não pode ser usada para direcionar o resultado nem para excluir competidores de fora sem base legal.
- O limite de 10{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} do melhor preço válido deve ser respeitado.
Relação com outras regras
A prioridade complementa as regras de desempate da Lei nº 14.133/2021: em igualdade de condições, o art. 60, § 1º, I, dá preferência a empresas estabelecidas no território do estado do órgão licitante. O art. 49, II, da Lei Complementar nº 123/2006 afasta o tratamento diferenciado quando não houver ao menos três fornecedores competitivos, enquadrados como ME ou EPP, sediados local ou regionalmente e capazes de cumprir as exigências do instrumento convocatório. Veja critérios de desempate.
Como aplicar na prática
- Verifique a base normativa local: há regulamento municipal ou estadual sobre o tema?
- Faça o levantamento do mercado local: existem ao menos três fornecedores competitivos ME ou EPP sediados na região?
- Defina “local” e “regional”: município, microrregião, estado.
- Justifique no processo o benefício esperado e o limite de 10{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306}.
- Descreva no edital como a prioridade será aplicada, em que fase e com qual critério.
- Aplique com transparência e registre a decisão.
Exemplo ilustrativo (hipotético)
Uma prefeitura de pequeno porte licita serviços de manutenção e identifica várias microempresas locais com capacidade para executar. O edital prevê prioridade de contratação para ME e EPP sediadas no município, até o limite de 10{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} do melhor preço válido, com justificativa de fomento ao desenvolvimento local. O regulamento municipal define o conceito de sede local, e o processo registra o levantamento de mercado.
Diferença entre prioridade local e margem de preferência
A prioridade local da LC nº 123/2006 é benefício dirigido a ME e EPP sediadas local ou regionalmente. A margem de preferência da Lei nº 14.133/2021 é outro instrumento, ligado a bens manufaturados e serviços nacionais ou com tecnologia desenvolvida no País, com regras próprias. Veja tratamento favorecido a ME e EPP.
Erros comuns
- Aplicar a prioridade sem previsão no edital.
- Não justificar o benefício esperado.
- Não definir o conceito de “local” ou “regional”.
- Ultrapassar o limite de 10{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} do melhor preço válido.
- Aplicar a regra sem verificar a existência de ao menos três fornecedores competitivos.
- Usar o benefício para direcionar o resultado.
Para estruturar uma política de compras locais, veja o serviço de compras públicas e desenvolvimento local e o curso Licitações para empresas fornecedoras.
Benefícios e riscos da política de compras locais
Os benefícios são visíveis: dinheiro público que circula na região, geração de emprego, fortalecimento de pequenos negócios e maior proximidade entre fornecedor e órgão. Os riscos são igualmente reais: preços mais altos, redução da competição e uso da regra para favorecer grupos específicos. A política funciona melhor quando é transparente, bem fundamentada e acompanhada de dados sobre o mercado local.
Como documentar
- Levantamento de fornecedores ME e EPP locais e regionais.
- Justificativa do benefício esperado para o desenvolvimento local.
- Definição clara de “local” e “regional”.
- Registro do preço de referência e do limite de 10{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} aplicado.
- Avaliação posterior dos resultados: quantos fornecedores locais contratados, a que preços, com qual desempenho.
Essa documentação protege o gestor e permite ajustar a política com base em evidências.
Fechamento
A prioridade local é uma ferramenta legítima de política pública, desde que usada com justificativa, transparência e respeito ao limite legal. Para municípios, pode ser um caminho para fortalecer a economia local sem abrir mão da legalidade das compras. Antes de adotar, vale conferir o regulamento próprio do ente, consultar a assessoria jurídica e acompanhar os resultados com indicadores simples, como número de fornecedores locais contratados e variação de preços.
Base legal: Lei Complementar nº 123/2006, arts. 47 a 49; Lei nº 14.133/2021, art. 60.

