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Glossário da gestão pública

Taxa de administração do RPPS

A taxa de administração do RPPS é o valor, financiado por alíquota de contribuição, que custeia as despesas de organização e funcionamento do regime, mantido em separado dos recursos para pagar benefícios.

O que é a taxa de administração do RPPS

Gerir um regime próprio de previdência custa dinheiro: é preciso pagar servidores, sistemas, atuário, consultorias, certificações, capacitações, aluguel e conservação do patrimônio. Essas despesas não podem sair do dinheiro reservado às aposentadorias e pensões. Por isso existe a taxa de administração, uma parcela específica da contribuição, destinada apenas a custear o funcionamento do regime. É como o “caixa administrativo” da previdência, separado do “caixa dos benefícios”.

Definição da Portaria MTP 1.467/2022

O art. 2º, XVI, da Portaria a define como o valor financiado por alíquota somada às alíquotas de cobertura do custo normal (ou outra forma prevista em lei do ente), para as despesas correntes e de capital de organização, administração e funcionamento do regime, inclusive conservação do patrimônio, com limites anuais de gastos e manutenção segregada dos recursos dos benefícios.

Limites

O art. 84 exige lei do ente e fixa limites de gasto apurados sobre o exercício anterior. Para os municípios, até 2,4{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} (grande porte), 3,0{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} (médio) e 3,6{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} (pequeno), sobre a base de cálculo das contribuições dos servidores, ou 1,7{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306}, 2,3{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} e 2,7{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306}, respectivamente, sobre a remuneração bruta de servidores, aposentados e pensionistas, conforme o grupo do ISP-RPPS. O enquadramento do município nos grupos depende dos critérios da própria Portaria, e o gestor deve confirmar o grupo do seu regime antes de definir o limite aplicável.

Regras de uso

Os recursos ficam em contas bancárias e contábeis distintas, formando reserva administrativa. As sobras mensais permanecem vinculadas, salvo reversão aprovada pelo conselho deliberativo para pagar benefícios; não podem ser devolvidas ao ente nem aos segurados.

O que pode ser pago com a taxa de administração

  • folha dos servidores da unidade gestora e encargos;
  • sistemas de informática e infraestrutura;
  • contratos de apoio técnico, como atuária e consultorias, quando permitido pelas normas;
  • capacitação e certificação de dirigentes e conselheiros;
  • conservação do patrimônio do regime;
  • custos de programas de gestão, como o Pró-Gestão.

O que não cabe na taxa é pagar benefícios previdenciários nem despesas de outras áreas da prefeitura. Cada gasto deve ter relação com a organização e o funcionamento do regime.

Como funciona na prática

  1. Lei do ente. A lei do RPPS prevê a taxa, seu percentual e a forma de cálculo, dentro dos limites da Portaria.
  2. Planejamento. A unidade gestora estima as despesas administrativas do exercício e as inclui no orçamento do regime.
  3. Arrecadação segregada. A parcela da contribuição destinada à taxa é depositada em conta própria.
  4. Execução com controle. Os gastos são realizados conforme o orçamento, com controle de limite acumulado no ano.
  5. Apuração. Ao final de cada período, confere-se o total gasto frente ao limite do exercício anterior.
  6. Destino das sobras. Sobras ficam vinculadas à reserva administrativa; só podem ser revertidas ao pagamento de benefícios por decisão do conselho deliberativo.

Taxa de administração e contribuição patronal

A taxa é financiada por alíquota somada às alíquotas de cobertura do custo normal, o que significa que ela é acrescentada às contribuições, e não retirada delas. Isso afeta o cálculo total devido pelo ente. Veja contribuição patronal do RPPS. A Lei 9.717/1998 também admite que as contribuições e recursos do fundo sejam usados em despesas administrativas, ressalvados os limites fixados em parâmetros gerais (art. 1º, III). Consulte ainda o verbete fundo previdenciário.

Por que segregar a taxa é tão importante

A separação entre o “caixa administrativo” e o “caixa dos benefícios” protege o patrimônio dos segurados. Se a unidade gestora pudesse pagar suas despesas com o dinheiro dos benefícios, o fundo seria corroído sem que ninguém percebesse. A segregação em contas bancárias e contábeis distintas permite conferir, a qualquer momento, quanto foi gasto em administração e se o limite foi respeitado. Também facilita o trabalho dos conselhos fiscais, do controle interno e do tribunal de contas, que podem examinar a taxa de forma isolada.

Como o gestor pode acompanhar o limite

Uma planilha mensal simples, com o acumulado de despesas administrativas do ano e o percentual do limite já utilizado, evita surpresas em dezembro. Quando o acumulado se aproxima do limite, a unidade gestora deve rever contratações e adiar gastos não essenciais, e levar o assunto ao conselho deliberativo.

Exemplo ilustrativo

Imagine um RPPS de pequeno porte, cuja lei prevê taxa de administração dentro do limite da Portaria. No início do ano, a unidade gestora monta o orçamento administrativo: pessoal, sistema, atuária e capacitação. Ao longo do ano, controla o total gasto. Em dezembro, sobra uma parte da taxa. O conselho deliberativo decide se mantém a sobra na reserva administrativa ou a reverte para o pagamento de benefícios. A decisão é registrada em ata. O exemplo é hipotético.

Base legal

Erros comuns

  • Pagar despesas administrativas com recursos dos benefícios.
  • Ultrapassar o limite anual sem enquadrar-se na exceção do art. 84, III, c.
  • Não segregar as contas.
  • Devolver sobras ao ente ou aos segurados, o que a norma não permite.
  • Aplicar o limite do grupo errado, sem conferir o enquadramento do regime.

Perguntas frequentes sobre Taxa de administração do RPPS

O que é taxa de administração do RPPS?

É o valor, financiado por alíquota somada às de cobertura do custo normal, que custeia as despesas correntes e de capital de organização, administração e funcionamento do regime próprio, mantido em separado dos recursos para pagamento de benefícios, com limites anuais de gastos, conforme a Portaria MTP 1.467/2022.

Qual o limite da taxa de administração do RPPS?

Para municípios, a Portaria MTP 1.467/2022, art. 84, fixa até 2,4{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} (grande porte), 3,0{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} (médio) e 3,6{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} (pequeno) sobre a base de contribuição dos servidores, ou 1,7{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306}, 2,3{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} e 2,7{e4c8815754107a571edcf2d1e12f2d8ba1a0c5c3bae658b8bd7ebd288e5c1306} sobre a remuneração bruta de servidores, aposentados e pensionistas, conforme o grupo do ISP-RPPS.

O que fazer com a sobra da taxa de administração?

As sobras mensais permanecem vinculadas à reserva administrativa. Podem ser revertidas ao pagamento de benefícios, desde que o conselho deliberativo aprove. Não podem ser devolvidas ao ente nem aos segurados, segundo a Portaria MTP 1.467/2022. A decisão deve constar em ata.

A taxa de administração pode pagar aposentadorias?

Não diretamente. Ela é mantida em contas distintas dos recursos dos benefícios e serve às despesas administrativas. A reversão de sobras ao pagamento de benefícios é possível apenas com aprovação do conselho deliberativo. Pagar despesas administrativas com recursos dos benefícios é erro comum.

Termos relacionados

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Fontes

  1. Portaria MTP nº 1.467/2022 – parâmetros e diretrizes dos RPPS (gov.br/previdencia)

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