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Glossário da gestão pública

Compartilhamento de riscos em PPP

O compartilhamento de riscos em PPP é a repartição objetiva, no contrato, entre parceiro público e privado, dos riscos do projeto, incluindo caso fortuito, força maior, fato do príncipe e álea econômica extraordinária (Lei nº 11.079/2004, art. 5º, III).

O que é o compartilhamento de riscos em PPP

Todo projeto de longo prazo enfrenta incertezas: obras que custam mais do que o previsto, demanda menor que a esperada, mudanças de lei, atrasos de licenciamento. Em uma PPP, o contrato precisa dizer, com antecedência, quem arca com cada um desses riscos. Esse desenho, chamado de repartição ou alocação de riscos, é um dos elementos mais importantes da parceria, porque determina o preço, a segurança do parceiro privado e a proteção do dinheiro público.

Base legal

O art. 4º da Lei nº 11.079/2004 traz como diretriz a repartição objetiva de riscos entre as partes. O art. 5º, III, exige que o contrato preveja a repartição de riscos entre as partes, inclusive os referentes a caso fortuito, força maior, fato do príncipe e álea econômica extraordinária. A Lei nº 14.133/2021 reforça a figura da matriz de riscos e se aplica de forma subsidiária (art. 186).

Princípio prático: o risco fica com quem melhor o gerencia

Uma boa alocação de riscos segue um critério simples: o risco deve ficar com quem tem mais capacidade de preveni-lo, gerenciá-lo e precificá-lo. Na prática:

  • Riscos de construção e operação costumam ficar com o parceiro privado, que controla projeto, obra e manutenção.
  • Riscos regulatórios, de desapropriação e de mudanças de lei tendem a ser do poder público, que controla essas decisões.
  • Riscos de demanda podem ser compartilhados, conforme o tipo de projeto.
  • Riscos de força maior podem ser tratados por seguros e por mecanismos de reequilíbrio.

Como construir a matriz de riscos

  1. Liste os riscos do projeto: técnicos, financeiros, ambientais, regulatórios, de demanda, de licenciamento.
  2. Avalie a probabilidade e o impacto de cada um.
  3. Decida quem responde por cada risco, aplicando o critério de quem melhor o gerencia.
  4. Defina mitigação: seguros, garantias, planos de contingência.
  5. Preveja os efeitos de cada evento sobre o contrato: reequilíbrio, prorrogação, indenização.
  6. Registre no contrato em linguagem clara, sem ambiguidades.
  7. Revise periodicamente a matriz durante a vigência, quando permitido.

Exemplo ilustrativo (hipotético)

Em uma concessão de iluminação pública, a matriz de riscos prevê que o parceiro privado responde por falhas de equipamentos e por atrasos na instalação, enquanto o município responde por mudanças na legislação municipal que afetem a remuneração. Eventos de força maior são cobertos por seguro, e o contrato descreve o procedimento de reequilíbrio para casos fora da matriz.

Diferença entre matriz de riscos e reequilíbrio

A matriz de riscos é o planejamento antecipado de quem assume o quê. O reequilíbrio econômico-financeiro é o mecanismo de ajuste quando ocorre um evento que, pela matriz, é de responsabilidade da outra parte, ou quando surge um fato imprevisível. Quanto melhor a matriz, menos pedidos de reequilíbrio.

Erros comuns

  • Transferir ao parceiro privado riscos que ele não consegue controlar, o que encarece a proposta ou gera litígios.
  • Manter no poder público riscos que o parceiro poderia gerenciar melhor.
  • Redigir cláusulas genéricas e ambíguas.
  • Não prever seguros e garantias.
  • Não atualizar a matriz diante de mudanças relevantes.

Para estruturar a modelagem de risco, veja o serviço de PPP, concessões e manifestação de interesse.

Tipos de risco mais comuns em PPPs municipais

Em projetos municipais, alguns riscos aparecem com frequência e merecem atenção especial na matriz:

  • Riscos de projeto e construção: custos acima do previsto, atrasos, falhas técnicas.
  • Riscos de operação: falhas na prestação do serviço, custos de manutenção.
  • Riscos de demanda: número de usuários menor que o estimado, quando há tarifa.
  • Riscos ambientais e de licenciamento: atrasos ou condicionantes inesperadas.
  • Riscos regulatórios e legais: mudanças de lei, de tributos ou de normas técnicas.
  • Riscos fundiários: desapropriações, ocupações irregulares, problemas de titularidade.
  • Riscos financeiros: variação de juros e de câmbio, quando relevantes.

Como testar a matriz antes de assinar

Uma boa prática é simular cenários: o que acontece se o custo da obra subir, se a demanda cair, se uma lei mudar? A matriz responde de forma clara a cada pergunta, indicando quem paga e como? Se a resposta é ambígua, a cláusula precisa ser reescrita. Essa simulação, feita com apoio jurídico e financeiro, reduz muito a chance de litígios no futuro.

Seguros e garantias

Parte dos riscos pode ser mitigada por seguros contratados pelo parceiro privado, como seguro de obras e de responsabilidade civil, e por garantias exigidas no contrato. O custo dessas proteções influencia o preço da proposta, e o edital deve indicar quais são obrigatórias.

Fechamento

Uma boa matriz de riscos é um dos melhores seguros contra conflitos em PPP. Quando as partes sabem de antemão quem assume cada risco e como eventos inesperados serão tratados, a execução é mais previsível e o preço tende a ser menor. Dedique tempo à matriz na fase de estudos, envolva áreas técnicas, jurídicas e financeiras e revise-a com os licitantes antes da assinatura, quando a lei e o edital permitirem esclarecimentos.

Em municípios sem equipe própria para esse trabalho, vale buscar apoio especializado e acompanhar boas práticas de órgãos de controle e de estruturadores de projetos.

Base legal: Lei nº 11.079/2004, arts. 4º e 5º; Lei nº 14.133/2021, arts. 22 e 186.

Perguntas frequentes sobre Compartilhamento de riscos em PPP

O que é compartilhamento de riscos em PPP?

É a repartição objetiva, prevista no contrato, entre o parceiro público e o privado, dos riscos do projeto, inclusive caso fortuito, força maior, fato do príncipe e álea econômica extraordinária, conforme o art. 5º, III, da Lei nº 11.079/2004.

Quem deve assumir cada risco na PPP?

Em regra, o risco deve ficar com quem tem melhor capacidade de gerenciá-lo e precificá-lo. Riscos de construção e operação costumam ser do parceiro privado, e riscos regulatórios ou de mudanças de lei, do poder público.

O que é matriz de riscos?

É o quadro, anexo ao contrato, que identifica os riscos do projeto, indica quem responde por cada um e define como eventuais eventos serão tratados. A Lei nº 14.133/2021 reforça a figura e se aplica subsidiariamente às PPPs.

Qual a relação entre matriz de riscos e reequilíbrio?

A matriz define antecipadamente quem assume cada risco. O reequilíbrio é o ajuste do contrato quando ocorre evento de responsabilidade da outra parte ou fato imprevisível. Uma boa matriz reduz a necessidade e a litigiosidade dos pedidos de reequilíbrio.

Termos relacionados

Glossário de licitações e contratos

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Fontes

  1. Lei nº 11.079/2004 (Planalto)
  2. Lei nº 14.133/2021, arts. 22 e 186 (Planalto)

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