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Glossário da gestão pública

Empenho ordinário, global e por estimativa

Os tipos de empenho são o ordinário (valor fixo, pago de uma vez), o estimativo (valor não determinável, como energia e água) e o global (despesa de valor determinado sujeita a parcelamento, como aluguéis).

O que são empenho ordinário, global e por estimativa

O empenho é o primeiro estágio da despesa pública, e a forma de emiti-lo varia conforme a natureza do gasto. A Lei 4.320/1964 prevê que será feito por estimativa o empenho da despesa cujo montante não se possa determinar e permite o empenho global de despesas contratuais e outras sujeitas a parcelamento (art. 60, §§2º e 3º). O MCASP classifica os empenhos em três tipos, de acordo com a possibilidade de determinar o valor e a forma de pagamento:

  • Ordinário: despesas de valor fixo e previamente determinado, cujo pagamento ocorre de uma só vez. Exemplo: compra de um equipamento.
  • Estimativo: despesas cujo montante não se pode determinar previamente. Exemplos: fornecimento de água e energia elétrica, aquisição de combustíveis e lubrificantes.
  • Global: despesas contratuais ou outras, de valor determinado, sujeitas a parcelamento. Exemplo: aluguéis.

Para que serve a distinção

A classificação permite ao gestor reservar a dotação de forma adequada a cada tipo de gasto. Faz pouco sentido emitir um empenho a cada fatura de energia, cujo valor muda todo mês; também não faz sentido emitir um empenho novo por parcela de aluguel, se o contrato já fixa o valor total do exercício. O empenho por estimativa e o global simplificam a rotina, sem abrir mão do controle: o saldo da dotação é bloqueado desde o início e vai sendo consumido pelas liquidações.

Como funciona na prática

Imagine uma prefeitura de pequeno porte no início do exercício. A rotina de empenhos seria:

  1. Energia elétrica e água: a contabilidade estima o consumo anual, com base no histórico, e emite empenho por estimativa. A cada fatura, a despesa é liquidada contra esse empenho. Se o consumo superar a estimativa, o empenho é reforçado; se sobrar, é anulado parcialmente.
  2. Aluguel de um imóvel: o contrato prevê parcelas mensais. A contabilidade emite empenho global pelo valor das parcelas do exercício, e cada mês é liquidado e pago.
  3. Compra de um equipamento: emite-se empenho ordinário pelo valor total, que será liquidado e pago após o recebimento.

O cuidado com a anualidade

Segundo o MCASP, os empenhos globais devem contemplar as parcelas previstas dentro do exercício ao qual pertence a dotação, e recomenda-se, em atenção à anualidade, não usar dotação de um exercício para obrigações de exercícios futuros. O manual alerta que empenhar contratos plurianuais pelo valor total pode inflar os restos a pagar não processados. Em outras palavras, um aluguel de 36 meses não deve ser empenhado inteiro no primeiro ano: cada exercício empenha as suas parcelas, e as dos anos seguintes dependem das LOAs futuras.

Base legal

Diferença entre empenho global e empenho estimativo

O global se refere a despesa de valor determinado, mas parcelada; o estimativo se refere a despesa de valor indeterminado. No global, sabe-se o total contratado; no estimativo, trabalha-se com uma projeção. Veja também nota de empenho e anulação de empenho.

Como acompanhar os empenhos por estimativa

Empenhos por estimativa exigem acompanhamento mais próximo, porque o consumo real pode divergir da previsão. Uma boa rotina é revisar, a cada trimestre, o saldo desses empenhos, comparando o consumo acumulado com a projeção. Se há risco de insuficiência, o reforço deve ser providenciado antes que a fatura vença, para evitar atraso de pagamento. Se o consumo está bem abaixo do previsto, a anulação parcial devolve saldo à dotação, que pode ser usado em outras necessidades. Esse acompanhamento evita surpresas no fim do exercício e melhora a qualidade da programação financeira.

Exemplo ilustrativo: três empenhos de uma mesma secretaria

Imagine uma secretaria de educação de um município de pequeno porte, que tem de pagar a conta de energia das escolas, o aluguel de um prédio provisório e a compra de carteiras escolares. Para a energia, o contador emite empenho por estimativa, com base no consumo do ano anterior, e reforça se a tarifa subir. Para o aluguel, emite empenho global com as doze parcelas do contrato, pois o valor mensal é conhecido. Para as carteiras, emite empenho ordinário, no valor da nota de empenho da licitação. Ao longo do ano, o saldo de cada empenho vai sendo consumido pelas liquidações, e, em dezembro, o contador verifica quais saldos serão anulados e quais obrigações serão inscritas em restos a pagar. A secretaria mantém, assim, o controle de cada gasto e a transparência exigida.

Empenho e contratos de duração continuada

Muitos serviços contínuos, como limpeza, vigilância e transporte escolar, são contratados por prazos superiores a um ano. O empenho de cada exercício deve cobrir apenas o período correspondente, e os exercícios seguintes dependem de dotação futura. Se a execução do contrato atravessa o fim do ano, a obrigação do último mês pode ser inscrita em restos a pagar, desde que haja liquidação regular e lastro de caixa. A distinção entre empenho global (de parcelas conhecidas) e estimativo (de consumo variável) ajuda a escolher o tipo adequado de empenho em cada contrato.

Erros comuns

  • Empenhar contratos de vários anos pelo valor total no primeiro exercício.
  • Usar empenho ordinário para despesas de valor variável, gerando reforços constantes.
  • Não revisar os empenhos por estimativa ao longo do ano.
  • Deixar saldo de empenho estimativo “esquecido” no fim do exercício, inflando restos a pagar.
  • Empenhar despesa sem contrato ou sem previsão, apenas para consumir dotação.
  • Esquecer de anular o excedente quando o valor realizado é menor.

Perguntas frequentes sobre Empenho ordinário, global e por estimativa

Quais são os tipos de empenho?

Segundo o MCASP, são três: ordinário, para despesas de valor fixo pagas de uma só vez; estimativo, para despesas de valor não determinável, como água e energia; e global, para despesas de valor determinado sujeitas a parcelamento, como aluguéis. A Lei 4.320/1964 trata do estimativo e do global no artigo 60.

Quando usar o empenho por estimativa?

Quando o montante da despesa não puder ser determinado previamente, como no fornecimento de água, energia elétrica, combustíveis e lubrificantes. A Lei 4.320/1964 prevê que será feito por estimativa o empenho dessas despesas. Se o valor for insuficiente, o empenho é reforçado; se exceder, é anulado parcialmente.

Posso empenhar um contrato de vários anos pelo valor total?

Não é recomendável. O MCASP orienta que os empenhos globais contemplem as parcelas previstas dentro do exercício da dotação e alerta que empenhar contratos plurianuais pelo valor total pode inflar os restos a pagar não processados. Cada exercício deve empenhar as parcelas que lhe correspondem.

O que fazer se o empenho estimativo for insuficiente?

O empenho pode ser reforçado, desde que haja saldo na dotação ou seja aberto o crédito necessário, antes que a despesa seja liquidada. Se o valor empenhado exceder o efetivamente realizado, deve ser anulado parcialmente, devolvendo o saldo à dotação. A revisão periódica evita atrasos de pagamento.

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Fontes

  1. MCASP 11ª edição – texto integral (Tesouro Nacional, cópia hospedada pela CNM)
  2. Lei nº 4.320/1964 – normas gerais de direito financeiro (texto atualizado, Câmara dos Deputados)

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