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Demonstração dos fluxos de caixa (DFC)

A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) mostra as entradas e saídas de caixa do exercício, classificadas em atividades operacionais, de investimento e de financiamento, e o saldo de caixa na data das demonstrações.

O que é a Demonstração dos Fluxos de Caixa

A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) responde a uma pergunta que todo gestor se faz no fim do ano: de onde veio o dinheiro e para onde ele foi? Segundo o MCASP, ela apresenta as entradas e saídas de caixa e as classifica em fluxos de caixa de três atividades: operacional, de investimento e de financiamento. Deve identificar as fontes de geração dos fluxos de entrada de caixa, os itens de consumo de caixa durante o período das demonstrações e o saldo do caixa na data das demonstrações.

Foi elaborada com base na NBC TSP 12, norma do Conselho Federal de Contabilidade, e faz parte do conjunto das Demonstrações Contábeis Aplicadas ao Setor Público.

Para que serve

A informação sobre fluxos de caixa permite aos usuários avaliar como a entidade obteve recursos para financiar suas atividades e como usou esses recursos. Para o gestor, isso significa enxergar:

  • quanto de caixa as atividades normais do município geram, ou consomem;
  • quanto foi aplicado em investimentos, como obras e equipamentos;
  • quanto veio de financiamentos, como operações de crédito, e quanto foi pago de amortização;
  • se o saldo final de caixa cresceu ou diminuiu e por quê.

As três atividades da DFC

  • Atividades operacionais: o caixa do funcionamento da máquina pública, como arrecadação de tributos, recebimento de transferências, pagamento de pessoal e de serviços.
  • Atividades de investimento: o caixa ligado à aquisição e à venda de ativos de longo prazo, como obras, veículos e equipamentos.
  • Atividades de financiamento: o caixa ligado à obtenção e ao pagamento de empréstimos e financiamentos, ou seja, ao capital de terceiros.

Como funciona na prática

  1. A contabilidade parte do saldo inicial de caixa e equivalentes, que compreende o numerário em espécie e os depósitos bancários disponíveis.
  2. Reúne os ingressos e os desembolsos do período, separando-os por tipo de atividade.
  3. Calcula o fluxo líquido de cada atividade, positivo ou negativo.
  4. Soma os três fluxos e chega à variação líquida de caixa no exercício.
  5. Confere se o saldo inicial mais a variação é igual ao saldo final de caixa registrado no Balanço Patrimonial.

Imagine uma prefeitura de pequeno porte que, no ano, arrecadou impostos e recebeu transferências, pagou folha e fornecedores, comprou um equipamento e quitou parcelas de um financiamento. Na DFC, o caixa operacional pode ser positivo, o de investimento negativo, por causa da compra, e o de financiamento negativo, pelo pagamento das parcelas. O resultado final mostra se o caixa terminou o ano maior ou menor, e a origem dessa mudança.

Diferença entre a DFC e o Balanço Financeiro

O Balanço Financeiro segue a estrutura da Lei 4.320/1964: receitas e despesas orçamentárias, movimentos extraorçamentários e saldos de caixa. A DFC usa outra lógica, mais próxima da análise gerencial, ao classificar tudo por tipo de atividade. As duas demonstrações partem do mesmo caixa, e seus saldos finais devem coincidir. A DFC, porém, deixa mais evidente se a prefeitura vive do próprio funcionamento ou depende de financiamentos para fechar as contas.

Relação com o regime de caixa

A DFC é uma demonstração de caixa: registra o que entrou e saiu em dinheiro. Isso a distingue da DVP, que segue a competência. Uma despesa reconhecida em dezembro e paga em janeiro afeta a DVP de dezembro, mas só aparece na DFC de janeiro. Entender essa diferença evita a confusão de achar que as demonstrações estão em desacordo quando, na verdade, medem coisas distintas.

Base legal e normas

  • MCASP, 11ª edição: estrutura, classificação das atividades e conceito de caixa para a DFC.
  • NBC TSP 12, do Conselho Federal de Contabilidade: norma que fundamenta a demonstração.

Como ler a DFC com olhar de gestor

O primeiro número a observar é o fluxo operacional. Um município saudável gera caixa com o próprio funcionamento: arrecada mais do que gasta com custeio. Se esse fluxo é negativo, o ente está usando reservas ou financiamento para pagar o dia a dia, o que não se sustenta por muito tempo. O segundo é o fluxo de investimento: quanto da capacidade de caixa foi usada em obras e equipamentos, e se isso foi financiado com recursos próprios, com transferências ou com crédito. O terceiro é o fluxo de financiamento: se o ente tomou mais empréstimos do que pagou, a dívida aumentou, e o serviço da dívida do ano seguinte será maior.

Lida em conjunto, a demonstração conta a história financeira do exercício em poucas linhas. Por isso, ela é útil para apresentar a situação do município à Câmara, aos conselhos e à população, de forma mais acessível do que uma sequência de balanços.

Erros comuns

  • Classificar pagamento de financiamento como atividade operacional, ou compra de equipamento como atividade de financiamento.
  • Incluir na DFC despesas empenhadas e ainda não pagas, que não são fluxo de caixa.
  • Não conciliar o saldo final da DFC com o caixa do Balanço Patrimonial.
  • Deixar de explicar, nas notas explicativas, movimentos atípicos de caixa.

Perguntas frequentes sobre Demonstração dos fluxos de caixa (DFC)

O que é a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)?

É a demonstração contábil que apresenta as entradas e saídas de caixa do exercício, classificadas em atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Também mostra as fontes de geração dos fluxos de entrada, os itens de consumo de caixa e o saldo de caixa na data das demonstrações.

O que o MCASP considera caixa na DFC?

Para essa demonstração, o MCASP considera caixa o numerário em espécie e os depósitos bancários disponíveis. A DFC não trata de despesas empenhadas e não pagas, nem de receitas a receber: trata apenas do dinheiro que efetivamente entrou e saiu.

Qual a diferença entre a DFC e o Balanço Financeiro?

O Balanço Financeiro segue a estrutura da Lei 4.320: receitas e despesas orçamentárias e movimentos extraorçamentários. A DFC reorganiza as entradas e saídas por tipo de atividade, em operacionais, de investimento e de financiamento, com base na NBC TSP 12, do Conselho Federal de Contabilidade.

Para que serve a DFC na prestação de contas?

Serve para os usuários avaliarem como o ente obteve recursos para financiar suas atividades e como usou esses recursos. É útil para a prestação de contas e a tomada de decisão, pois mostra a capacidade de gerar caixa e a necessidade de financiamento externo.

Termos relacionados

Glossário de orçamento e contabilidade pública

Fontes

  1. MCASP 11ª edição – texto integral (Tesouro Nacional, cópia hospedada pela CNM)

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